Cachoeiro
 
Botaoazulnoticias Botaoazulsaude Botaoazulturismo Botaoazulcontato Botaoazulemail Botaoazulvazio
  • Leia mais

    • Amigos e Inimigos
    • Medo de não ter medo
    • Quem tem põe, quem não tem tira
    • Um milhão pelo seu pensamento
    • Cabelos e Animais
    • Crônicas de Felicidade
    • Números e Misticismo
    • Ronco In Rio
    • Surpresas das festas Surpresas
    • Bendita Tecnologia
    • Par ou impar ou mini-primpa?
    • Humanos inacabados
    • Imaturidade Humana
    • Parque Filadelfia
    • Rometiter
    • Caduquice Precoce
    • A era paleoNETica do Cyber-espaço
    • Não gosto e não quero gostar
    • Um sabor para cada voz
    • Turismo, Compras e a monótona “Mesmice”
    • Os do contra
    • Patriotismo de Copa do mundo
    • Qual a senha? - Tio Patinhas.
    • No mundo da Lua
    • Fotografias
    • Ô louco! Tô Locutor.
    • Manias e Obsessões
    • Odontofobia
    • Ferris Buller
    • Monstros debaixo da cama
    • Síndrome do Jaleco Branco
    • Super-heróis
    • Previsões para 2010
    • Copenhagen Urgente
    • Castimônia
    • Entrevista na Barbearia
    • Sabor de Uva
    • "BluPluft BluTuss"
    • P.N. APITE
    • A Saga Continua
    • "Discunjuro!"
    Paiva Netto
    Paiva_neto
    Jesus e as Mães
    Evandro Moreira
    Em01
    Triste Realidade
    Julia Khede
    10
    Sinto mais fome no frio? O que fazer?
    Alexandre Moraes
    Alexandre_moraes
    Amigos e Inimigos
    Ricardo Lemos
    Ricardo_lemos
    Top Secret
    Ramon Barros
    Ramon_barros
    O Homem e sua ambição
Alexandre_moraes Alexandre Moraes


Fotografias

21/03/2010 13:27 -- 10729 -- Cachoeiro de Itapemirim > Regional

Filmagens e Fotografias

Icon

Ainda me lembro de quando eu tinha uns seis anos. Era festa de Cachoeiro e a exposição agropecuária era no bairro independência, no Parque de Exposições Aristides Alexandre Campos, onde hoje é o fórum da cidade. Paramos no largo em frente ao portão para minha mãe tirar uma fotografia (coisa até considerada chique, pois a maioria das pessoas não tinha uma máquina fotográfica em casa).

- Não! É melhor mudar de lado, pois tem que ficar de frente para o sol. – Dizia ela, escolhendo o melhor ângulo para enquadrar a cena com a iluminação natural.

Realmente naquele tempo as máquinas eram grandonas. Tenho medo de dimensionar errado, pois eu era menor que sou hoje, mas ela me parecia “enoooooorme”, quase do tamanho de uma marmita pequena. Flash era realmente luxo, pois as lampadinhas quadradas, descartáveis, para quatro disparos, eram uma pequena fortuna, e não podíamos comprar a toda hora, só para ocasiões realmente especiais.

As fotos eram em preto e branco. Hoje parece pobreza, mas os fotógrafos profissionais, mesmo nos tempos atuais, optam pelas fotos sem cor para as imagens artísticas. Apesar de ter me rendido à atração das primeiras máquinas digitais, com todos os seus recursos, cores e resolução, tiro o meu chapéu para o charme das fotos em PB.

- Olha o passarinhooooo... “clic”. – Todos os sorrisos, forçados ou não, estavam eternizados naquele momento. Isto se a foto não queimasse, pois o resultado mesmo, só dias depois, após a revelação.

Até hoje vejo minha mãe reclamar de uma foto tirada na varanda de sua casa. Eu e minha irmã saímos na foto perfeitamente, mas o varal ao fundo estava cheio de calcinhas e cuecas penduradas. É só pegarmos fotos antigas que esta aparece no meio, e ela reclama de novo. Que fazer?

Lembro-me, já na fase colorida, de uma foto que minha mãe tirou do meu irmão próximo a uma vaca que estava deitada na baia. Não era possível ver o resultado antes da revelação, portanto, depois de prontas era um festival de dedos na frente, canelas cortadas, cabeças incompletas e até alguns decapitados. E não tinha como voltar e corrigir, pois geralmente a oportunidade ou o evento já haviam ficado no passado. Quando a foto chegou, dava para ver a sombra de uma coluna da baia. Nem meu irmão, nem a vaca. Foto perdida e com revelação paga.

Nesta fase de coloridos, acabou surgindo uma modernidade que revolucionaria o Brasil. Com um laboratório automatizado, surgiu uma tal de SONORA em Manaus (na zona franca). Ela tinha uma promoção fantástica. Voce enviava o filme para revelar e junto com as fotos eles mandavam um outro filme novo GRATIS. Virou febre e todo mundo só revelava lá, enviando o filme clicado pelos Correios.

- Diga Xis... “clic” – Se não me engano a maioria dos passarinhos de fotógrafos se aposentaram nesta época. Mesmo sem a Xuxa o X começou a ganhar espaço. Se você não se acostumou, trate de acostumar, é mais jovem. Mais do que nunca as cenas eram clicadas. As máquinas agora eram baratas e a maioria das pessoas tinha uma. Com a história do filme grátis imagino até o congestionamento de correspondências em Manaus. Com a revelação “bem mais barata” até os jovens agora podiam se dar ao luxo de fotografar colegas na escola e eventos mais corriqueiros.

Filmadoras

Neste período surgiram as primeiras filmadoras. Eram as “Super 8” (oito milímetros), sem som, com filmes caros e que precisavam ser revelados. Para assistir só com projetor, como nos cinemas. Gravavam pouco tempo, a custo alto e muito incomodo de utilizar. Só alguns ricos tinham.

Na década de 80, logo após os videocassetes, começaram a vir as filmadoras eletrônicas, que não dependiam de revelação, pois gravavam em fitas de vídeo. Ainda era uma parafernália de cabos, baterias, módulos portáteis e etc. Somente os profissionais tinham ânimo e força para enfrentar a fera. E para chegar ao consumidor final surgem as Camcorders (soma de Câmera+ Recorders), que viriam posteriormente a serem chamadas justamente de videocâmeras, enormes ,mas, práticas de usar e não precisavam de revelar, pois a fita passava em um videocassete comum.

De volta à vida

A ressalva acima tem um motivo. A entrada das filmadoras parecia indicar o fim das fotografias. Quem poderia querer uma foto parada, muda, se poderia ter o registro do movimento, em cores (isso quando a transcodificação funcionava) e com todos os sons do momento?

Os fotógrafos ficaram malucos. Tiveram que montar estúdio de produção, ilhas de edição, gerador de caracteres... Quem ficasse para traz perderia o bonde do progresso... e os clientes, é claro.

- Tenho que chamar alguém para filmar meu filho. – Todos queriam gravar a infância dos filhos, partos, casamentos, batizados, formaturas... Fotografia? Amm, Claro! O pacote vinha completo geralmente. Mas parecia que o álbum de fotos era um mero coadjuvante, apesar da qualidade das filmagens não chegar nem de longe à da fotografia. Era a família toda empoleirada em frente à televisão para assistir inúmeras vezes o evento.

Todos aplaudiram o progresso, mas a maioria se esqueceu de progredir junto com a tecnologia.
Como assim?

Quando o cinegrafista apontava a filmadora, em busca de captar o evento com todos seus sons e movimentos, todos paravam em pose como se fosse uma fotografia. O único movimento perceptível era o do deslocamento da câmera para um lado e para o outro, buscando gravar a presença de todas as pessoas na mesma cena. Estava eternizada a imagem muda de um monte de gente, com um sorriso pouquíssimo natural no rosto (além do mais que ficavam com a boca dura na mesma posição durante toda a cena), feito bobos olhando para a câmera.

Mas por que mudas e paradas? Porque todo mundo sabia posar para uma fotografia, mas ninguem ensinou que para filmagem não era necessário posar. A máquina captaria o evento e não um instante como a fotografia. Era difícil trocar o paradígma das nossas atitudes.

Quando chamavam alguém para filmar os filhos era outra novela. Ao invés de buscar a gravação de brincadeiras ou cenas corriqueiras, mas naturais, insistiam em querer que a criança olhasse para a câmera, como nas antigas fotografias.

- Pedrinhoooo! Ooo Pedrinhoooo! Olha prá cá! – E como a criança insistia em não olhar. A mãe começava a balançar um brinquedo por traz do câmera e as vezes a pular feito uma maluca buscando a atenção do guri. – Pedrinhoooooo! Oi meu filho! Pedrinhooooo! Olha pra cá!

Uma hora a criança acaba dando umas olhadelas de passagem, mas a voz da mãe, impertinente na insistência, esta sim, estaria eternizada na fita. Só para ela ficar com raiva, ou com vergonha de mostrar a fita para as amigas e parentes no futuro.

Uma vez vendo uma fita na casa de um amigo que era profissional, durante o processo de edição, fiquei tão enjoado da voz de uma mãe chamando pela filha, que não só gravei o nome da criança até hoje, como perdi o gosto geral por assistir filmagens. Cansei o suficiente para o resto da vida. Hoje fotografo e filmo minhas filhas sempre que posso. Adoro ver as fotos, mas as filmagens... Estão gravadas para a posteridade.

Nos últimos anos, a partir da década de 90, o que já era previsível virou realidade. A fotografia digital foi viabilizada. No início do século 21 então as máquinas baratearam e o seu uso se popularizou. Mudou tudo.

Voce tira a foto e já pode ver na hora. Pode recortar como preferir, dar zoom, posteriormente tirar a cor, se preferir. Editar no “photoshop” ou “photopaint” e tirar aquelas ruguinhas, recortar a ex-namorada ou qualquer outra coisa (inclusive cuecas e calcinhas no varal) da cena. Pode se colocar na frente de um monumento que nunca tenha visitado, etc...

- Olha o jeeeeegue... “clic” – descobri que no nordeste o bicho empregado pelos fotógrafos era outro. Imagino que o bicho seja mais resistente ao clima da região do que os aposentados passarinhos. O Xis por sua vez parece um tanto americanizado. Lembra X-burguer, que aqui tomou o lugar do Cheese-Burguer. Nas primeiras vezes rimos do jegue, mas depois acostumamos.

Como não é necessário revelar uma fotografia, todos clicam sem limites. Me lembro na última viagem que pude fazer, que estávamos em cinco. Eu, minha esposa e minhas três filhas. Cada um com uma máquina fotográfica (que também filma agora, e com som), além de uma filmadora extra (digital, sem fita). Tirávamos, juntos, entre 1000 e 2000 fotos por dia (foram 15 dias). Filmagens eram poucas, mas também as fizemos.

Há uns anos atrás, pensando numa cena de um incêndio inesperado, comecei a me questionar sobre o que deveria me preocupar, e me perguntei:

- Se voce (eu) visse sua casa ou apartamento em chamas e dispusesse de tempo suficiente para, correndo, entrar uma única vez para salvar alguma coisa, o que buscaria?

Pensei nos documentos, em objetos de valor, eletrodomésticos, etc... fui enumerando tudo que não gostaria de perder. Interrompi a lista ao lembrar da CPU do meu computador, onde, com dois discos para cópia de segurança, guardo algumas dezenas de milhares de fotos e um tanto a mais de filmagens.

Dinheiro, bens, utensílios, documentos, etc... Tudo, com mais ou menos trabalho, pode ser refeito. Não é possível voltar ao passado e reviver os momentos que ficaram espalhados pelo tempo que, muitas vezes, a memória não guardou os detalhes. Com certeza eu buscaria minhas memórias no meu banco de fotos. Nada mais.

Comentários - 0 on 0 off.

Novo comentário

Clique na imagem para mais detalhes Faixaazulcotacoes
  • As + acessadas

    • SINE Cachoeiro de Itapemirim
    • Adolescente morre e dois ficam feridos após serem baleados em Cachoeiro
    • Rapaz é assassinado no bairro Basílio Pimenta em Cachoeiro
    • Motociclista morre após colidir na traseira de caminhonete
    • DouradoFm
    • Mulher mata marido com faca no bairro Alto Eucalipto
    • Jovem morre após ser baleado no bairro Zumbi
    • Rádio Cachoeiro AM
    • Homem morre após ser atingido por Scania na BR 101
    • Homicida é procurado pela Polícia Civil
    • GAO apreende maconha e crack no bairro São Lucas
    • GAO realiza apreensões em bairros de Cachoeiro
    • Acidente deixa motorista ferido em Morro Grande
    • Cinco pessoas são presas em mais uma operação da Polícia Civil
    • Bombeiros morrem carbonizados após carro capotar a caminho de ocorrência em Guarapari
    • Quatro pessoas são detidas em operação da Polícia Civil no bairro Basílio Pimenta
    • Arma de grosso calibre é apreendida no bairro Nossa Senhora Aparecida
 

©2010 Todos direitos reservados.  •  Site desenvolvido em Ruby On Rails pela Equipe Viaes.