ADEUS E SAUDADES
ADEUS E SAUDADES
Uma das críticas que recebo freqüentemente é em relação à maneira como escrevo certos textos. Alegam inclusive, que não sei escrever, o que é a mais pura verdade! Pois, não sou escritor, aliás, minto descaradamente: Já escrevi alguns livros sobre reciclagem e coleta seletiva de lixo, o último deles foi “O Lixo Nosso de Cada Dia”. Nesses livros, procurei utilizar linguagem adequada aos prováveis leitores, ou seja, professores, estudantes e pesquisadores.
No trabalho que exerço como jornalista, aprendi que a linguagem de matérias e reportagens deve acompanhar o nível intelectual dos prováveis leitores, procuro agir sempre dessa forma.
Mas, quando escrevo crônicas, meu maior prazer é utilizar um linguajar bem avesso a normas de nomenclatura. Utilizo formas populares ou popularescas nessas inserções que podemos chamar de quase literárias...
Na última crônica que postei no “viaes”, meu dileto amigo Evandro Morais me aplica um “puxão de orelha” pelos erros encontrados no texto. Ele não esclareceu se foram erros ortográficos ou de concordância, ou simplesmente ele considerou erros o linguajar que utilizei, não sei...
O certo é que ele tascou (ops!): “o dever de quem escreve é, primeiramente, ensinar a escreverem”. Talvez ele estivesse pensando em dizer que temos que ensinar a outras pessoas a escreverem.
Brincadeirinhas com Evandro a parte, ele sabe que sempre morou em meu coração e que o admiro pela sua sapiência, pois além de ser advogado, membro da Academia Cachoeirense de Letras, é também um grande escritor, tendo eu diversos livros de sua autoria em minha modesta biblioteca. Por isso, está perdoado pelo puxão de orelha.
Enfim, o que eu queria realmente comentar é que infelizmente estou deixando de colaborar no “viaes”. Razões pessoais intransponíveis me fizeram tomar essa decisão.
Aos 64 anos de idade – sem ficar doente, repito – estou muito atarefado para o dia que me dão para cumprir. Sou Assessor de Comunicação de três empresas, tenho um jornal em Aracruz sob minha responsabilidade, escrevo e edito três jornais de empresas e ainda procuro encontrar um tempo para colaborar com mídias de alguns cantos do País.
Então, aos poucos, tento diminuir esse peso, para ver se encontro tempo de brincar com meus netos e sacanear meus filhos, filhas, genros e noras.
Outro dia, um rapaz me cercou numa Avenida de Niterói-RJ e falou: “Abenção Vovô Dino”, apalermado retruquei: “Deus te Abençoe...”, só com muito custo percebi que o molecão era meu neto mais velho – Lucas – que já está com 18 anos! (casei cedo...).
A verdade é que meus netos estão crescendo de uma forma assustadora. Como moram em Campos, Arraial do Cabo e Niterói, fica difícil o Vô Dino vê-los com freqüência.
Minha filha caçula – Camila – é formada em serviço social e pra falar a verdade, não tenho a menor idéia onde trabalha ou com quem saí. Marcelo, meu filho mais velho, é cientista político e diretor de uma Faculdade no Rio de Janeiro e já não o vejo há quase dois anos! Enfim, meus filhos daqui a pouco serão avôs e eu não sei nada da vida deles!
Portanto é hora de colocar o pé no freio.
Sei que me diverti escrevendo para o “viaes”, algumas críticas me deixaram irado, outras me fizeram rir e os elogios sempre me tocaram o mais fundo do meu ser...
Escrever: Dizem que é uma arte, não sei. Somente sei que gosto de escrever principalmente sobre tipos que encontrei ou convivi durante minha vida. Como o João Morrói (que existe realmente!), malandros cariocas, espertos mineiros, presunçosos paulistas e adoráveis capixabas.
Como falo de pessoas do povo que na maioria das vezes são analfas (ops!), tenho que utilizar o linguajar dessas pessoas, pois não posso escrever sobre um gajo que diz: ”agente vamos” e escrever em sua fala – nós vamos. Não me é possível escrever sobre um malandro carioca que denomina sua esposa de “nega véia”, escrevendo – minha senhora. E por aí em diante...
Com certas críticas sempre fiquei em dúvida se o Cabloco (ops!) queria mesmo corrigir o meu modo de escrever ou se ele na realidade não tinha conhecimento de como falam os personagens que sempre retratei.
Enfim, mas não é hora de polemizar.
Dizem que a palavra saudade só existe na língua portuguesa (ou brasileira, como quiserem...), mas a verdade é que sei muito bem desse sentimento e vou sentir muitas saudades de todos aqueles que lêem meus escrevinhados no “viaes”.
Mas, se a sua saudade apertar pode me mandar um e-mail: dinosimas@yahoo.com.br
Adeus e fiquem com Deus.
