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Poesia Alimenta... A Alma

10/08/2012 11:16 -- 35853 -- Cachoeiro de Itapemirim > Estadual

Poesia Alimenta... A Alma

Ele ainda faz versos de amor. Ele ainda se encanta com a beleza da mulher, a graça da criança, o ideal de um semelhante, o desabrochar de uma flor. Por quê? Em uma croniqueta Newton Braga diz (veja bem: eu não disse “disse”, pretérito, eu disse diz, presente sempre, porque seu escrito está eternizado em livro), a grande invenção do homem – que só o Homem sabe folhear e ler um livro... Mas vejamos, Newton diz que “o Poeta é aquele menino que viu a estrela e mostrou-a a todos”. É a criança que sobrevive no imo do adulto de qualquer idade, é a sensibilidade de quem acha tempo para olhar o céu e descobre que ninguém se importa de enxergar a estrela que existe em toda noite escura, tanto quanto no dia claro.

Só o poeta tem tempo para debruçar-se na varanda e olhar o campo, a pachorra dos bois ladeados por garças e anuns; de ouvir o canto dos pássaros e distinguir o chilreio da andorinha do trinado de um canário e do pipio rude dos pardais enxeridos. Ele tem tempo e sensibilidade para interpretar as figuras efêmeras formadas pelas nuvens preguiçosas; tem tempo de parar e sorrir para o sorriso de uma criança. Ele certamente está meio ausente do mundo e jamais se tornará rico e sovina, não por lhe faltarem méritos e engenhos e artes para integrar o cordão dos vencedores no mundo financeiro, material e político. Ele continuará assim, feliz com o apenas suficiente, por opção, para não contaminar a sensibilidade com usura nascida do tilintar de moedas. Ele não trocará jamais a paz interior pela riqueza exterior.

É, eu talvez me engane, mas acho que ele prefere dormir tranquilo, sem alarmes e vigias, sem se preocupar com a possível perda de uma fortuna aplicada em lucrativa especulação. Ele estará sempre desarmado, pois os ladrões dificilmente se interessarão por seus poucos e modestos bens móveis. Ele preferiu a paz de viver cada dia, ao invés de optar pela intranquilidade de enriquecer a cada dia. E, afinal, para que serve o dinheiro? Ele não compra virtudes, não compra dignidade, não compra o amor-próprio (só compra cargos, posições, amigos, mormente no Congresso). O excesso de dinheiro aumenta o trabalho de administrá-lo e atrai a ganância do ladrão, a inveja do infeliz mendigo, ou seja, cercam-no os sentimentos negativos. Quanto vale a paz de espírito? E repete uns versos conhecidos: “... De noite, reza insone e preocupado/ se o dinheiro estaria bem guardado/ pelo segredo fiel da caixa-forte./ De muito mais ganhar tem esperança,/ tanta quanto os que aguardam pela herança/ e, no outro quarto, sonham sua morte...”

Pensa, avalia o passado cheio de esperança e o presente pleno de saudades. Sorri ante o futuro de tranquilidade. Quanto menos bagagem, mais calma a nossa viagem. A só felicidade não ocupa lugar.

Mais que uma preocupação, a vida deveria ser sempre uma bênção, um prazer em si mesma, pela graça de viver.

Comentários - 2 on 0 off.

João Bernardo - Enviado em 18/08/2012 17:49

Vindo do poeta Evandro é tudo de bom. Parabéns.

Fenix Vale do Sol - Enviado em 14/08/2012 22:27

Encantei ao ler este artigo!Excelente!!!

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